Robô humanoide, o sufixo -oide e novos termos na área da robótica
A humanidade foi surpreendida no domingo, dia 19 de abril de 2026, pela notícia da vitória da meia-maratona de Pequim por um robô humanoide, de nome Lightning ou Raio, num feito que se tornou ainda mais extraordinário porque, para percorrer os 21 quilómetros da prova, o robô precisou de menos sete minutos do que o atleta detentor do recorde mundial. Embora competindo em pista própria, onde só corriam robôs, o humanoide mostrou que consegue ser mais rápido do que o mais rápido dos humanos, o que nos surpreende e, ao mesmo tempo, nos deixa apreensivos relativamente ao que o futuro tecnológico poderá significar para as cada vez mais limitadas capacidades humanas.
Tal como seria de esperar, os desenvolvimentos nesta área estão a converter-se em novas palavras e termos que, gradualmente, vão passando a integrar o nosso dia a dia. Entre estas encontra-se o nome humanoide, usado com o sentido de «que apresenta formas ou características humanas» (Dicionário Houaiss) e resultado da junção da base «human-» ao sufixo «-oide». Este sufixo começou a ser produtivo no português sobretudo a partir do século XIX em áreas como a psicologia para a formação de palavras como esquizoide ou paranoide. Este mesmo sufixo tem também sido muito usado com fins pejorativos, presentes em palavras como palermoide ou intelectualoide. Observamos, agora, a sua produtividade na área da robótica, juntando-se a outros termos que designam novas realidades como o «robô colaborativo» (cobot), um braço robótico para a realização de tarefas repetitivas; o androide, um tipo de robô humanoide que para além de forma humana tem também expressões humanas e pele sintética; os robôs sociais (companion robots), focados na interação emocional e na companhia, sobretudo de pessoas idosas.
Note-se, por fim, e regressando ao nome humanoide, que este deixou de ter acento agudo com o Acordo Ortográfico de 90, o mesmo acontecendo a todas a palavras que terminam com o sufixo -oide.
