«Crise energética» e «preços recorde»: os termos linguísticos resultantes da guerra do Irão
A possibilidade de declaração de crise energética em Portugal é um cenário que se encontra em cima da mesa, como consequência da guerra no Irão. A crise energética é declarada oficialmente após decisão europeia quando um país enfrenta uma situação de escassez significativa de um ou vários recursos energéticos (como a eletricidade, o gás natural ou o petróleo). Com o bloqueio do Estreito de Ormuz e os ataques a instalações de petróleo e gás na zona do Golfo Pérsico, a situação de carência tem vindo a aumentar. Em Portugal, a situação está próxima dos critérios definidos para a declaração de crise energética no que toca ao gás natural, o recurso que se encontra em situação de maior escassez.
O termo «crise energética» inclui o adjetivo energético que advém do termo grego energḗtikós, que significa «ativo, eficaz». A sua associação ao nome crise parece ser relativamente recente, uma vez que, no Corpus do Português (de Mark Davies), o registo mais antigo data de 1994.
Neste quadro, identificamos também o uso da expressão «preços recorde», que tem sido associada ao preço praticados pelas gasolineiras para venda dos combustíveis. Relativamente ao adjetivo recorde, é oportuno recordar que este tem forma portuguesa, pelo que não se justifica o recurso à forma inglesa record. Para além disso, é um adjetivo invariável pelo que é incorreta a forma plural «preços recordes».
