Como designar as variedades nacionais do português? - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Como designar as variedades nacionais do português?
Como designar as variedades nacionais do português?
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 733
marinilcearaujo.blogspot.com

Toda a gente sabe que a palavra brasileiro é gentílico e não nome designativo de língua. Mas há a aceitação pacífica, no Brasil pelo menos, do termo português brasileiro. E, por exemplo, a notação «versão brasileira», que aparece nos DVD dos filmes de animação, também não causa grande estranheza aos falantes dos dois lados do oceano. A inconveniência está em que português brasileiro não pode ter como equivalente simétrico a designação português português,  pois tal não teria apenas o inconveniente da redundância, como invocaria uma falsa "genuinidade do idioma".

Daí as opções, vulgarizadas, por português de Portugal vs. português do Brasil. Há também quem opte pelas formulações alternativas de português europeu vs. português americano.

Porém, recorrer à menção do continente já não funciona para português de África ou português africano, porque aqui não há apenas um país que tem o português como língua oficial. A solução seria, então, falar em português de Angola, do português de Moçambique, do português de Cabo Verde, português de São Tomé e Príncipe e português da Guiné-Bissau. No entanto, estas designações fazem pressupor uma coisa que não existe, que é o levantamento sistemático dos traços idiossincráticos comuns do português falado em cada um destes territórios nacionais.

Donde se conclui que, mais uma vez, os problemas colocados pela terminologia vão sempre mais além da terminologia...

E, justamente, outro problema terminológico diz respeito à designação do português aprendido por falantes não nativos do português: há português língua estrangeira, português língua segunda, português língua não materna e português língua de herança... A diversidade de designações reflecte a diversidade de matizes detectada nos perfis sociolinguísticos dos aprendentes.

Contextualizando historicamente o Acordo Ortográfico de 1990 e propondo critérios de aplicação adequados ao português europeu, D´Silvas Filho retoma aqui, com mais desenvolvimento, a sua crítica a aspectos do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Porto Editora e do Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC).

No programa Páginas de Português (Antena 2, dia 5, 17h00*, também disponível em podcast): os exames de Português Língua não Materna e uma entrevista com o embaixador do Brasil junto da CPLP, em Lisboa, Pedro Mota Pinto Coelho. Destaque ainda para Uma Carta para Lanzarote, a premiada do mês de Junho no concurso Uma Carta É Uma Alegria da Terra, em colaboração com os CTT, Correios de Portugal.

*Hora de Portugal continental.