A egopolítica: a emergência de uma nova forma de fazer e estar na política
A ação do atual presidente dos Estados Unidos da América tem desencadeado uma intensa atividade lexical. A sua ação inusitada e o seu pensamento e discursos desviantes têm gerado a necessidade de criar neologismos para descrever as novas realidades a si associadas e têm conduzido à recuperação de termos, usados atualmente quase em exclusivo no plano teórico para descrever possibilidades ou realidades passadas da ação política.
O termo egopolítica enquadra-se nesta última categoria e tem sido associado ao padrão de ação desenvolvida por Donald Trump sobretudo no que concerne ao seu recente interesse na Gronelândia. Alguns analistas políticos consideram que, nesta matéria, o posicionamento e a intervenção do presidente dos EUA não se centra na geopolítica, ramo que faz assentar a ação política em fatores geográficos e na sua relação com diferentes países. Em vários textos que circulam na comunicação social, vemos agora a ação de Trump ser associada a uma forma de egopolítica (de ego («eu») + política), ou seja, uma ação política baseada na perspetiva egocêntrica que se move ao sabor de obsessões, ambições e crenças pessoais ancoradas na necessidade de autoafirmação e de reconhecimento alheio.
A palavra egopolítica não é propriamente um neologismo, uma vez que já circula em meios especializados. Por exemplo, o Conselho Europeu já a utilizou em alguns dos seus relatórios para definir uma tendência que se tem vindo a manifestar na atualidade e que mergulha numa ação política que se move no plano emocional e que convoca a fé cega para mobilizar os seguidores. Trata-se de uma estratégia que tem sido associada a figuras como Donald Trump, Javier Milei, o líder argentino, ou Jair Bolsonaro, o ex-presidente brasileiro.
Estamos, assim, perante uma nova tendência política centrada no ego, que o próprio procura satisfazer e que outros aplaudem, procurando daí retirar efeitos positivos. Eis a egopolítica.
