Desconhecido - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Desconhecido.

 
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 A contração da preposição para com os artigos definidos ou pronomes demonstrativos a, o, as, os, segundo a Base XXIV do Acordo Ortográfico de 1945 correspondia às formas prà, prò, pràs, pròs. Como já foi esclarecido na resposta As contrações e variantes de para: pra, prá, pro, etc, a Base XII do Acordo Ortográfico de 1990 estipula as formas pra, pro, pras, pros (sem acento).

Cf. Pra, prà e apóstrofo

Conforme a a) da Base XVI (Do  hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação) do Acordo Ortográfico de 1990, não se emprega o hífen nas «formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico.» Com estes exemplos dados: «antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.» 

Esta regra contempla, pois, o caso da pergunta. Deve escrever-se suprarreferido, com o r dobrado, de referido

Sobre esta questão, já o Ciberdúvidas respondeu várias vezes: aquiaquiaqui e aqui.*

A frase correta é «Deixe aqui a sua questão a um dos cantores mais queridos dos portugueses...»

Se invertermos os termos da frase, mais facilmente se verifica a sua correção: «Dos cantores  mais queridos dos portugueses [ele é um deles].»

 

* N.E. – Voltamos a pedir a quantos acedem ao consultório do Ciberdúvidas: antes da colocação da pergunta, confirme-se na pesquisa do arquivo [ Como (melhor) navegar e pesquisar no Ciberdúvidas. ] se o tema já não se encontra esclarecido.

No caso apresentado, não parece haver razão gramatical que imponha o artigo definido. Os dois usos são possíveis com um pequeno matiz semântico, mas não se pode pensar que no português do Brasil se prefira «estudar o português» a «estudar português». Aliás, é de notar que a 1.ª edição brasileira do Dicionário Houaiss (2001) atesta o emprego de  inglês, alemão, português sem artigo definido, quando estes nomes de línguas ocorrem associados, por exemplo, ao verbo falar:

«[...] transitivo direto, transitivo indireto, bitransitivo e pronominal 4 saber exprimir(-se) em outro idioma que não o seu Ex.: <fala inglês fluentemente> <o tempo todo falou(-lhes) numa língua desconhecida> <falavam-se em alemão>  transitivo direto 5 Rubrica: lingüística.
comunicar-se com outro(s) falante(s) segundo um sistema definido próprio de uma comunidade lingüística, ou seja, por meio de uma determinada língua Ex.: <f. português> <f. vários idiomas> [...].»

O que se diz acerca do verbo falar pode ser generalizado a outros verbos estudar, ensinar, aprender ou saber, ou seja, usam-se muitas vezes, quer em Portugal, quer no Brasil, os nomes de línguas sem artigo definido junto do verbos mencionados.

Também no português em geral, independentemente da variedade, se omite geralmente o artigo definido em construções como «saber português/inglês/turco», «falar português/inglês/turco», «aprender português/inglês/turco», à semelhança de outros nomes que se referem a atividades do domínio artístico ou científico («saber música/matemática») e se comportam como nomes não contáveis.

Nas frases que apresenta, a leitura mais saliente é aquela em que a oração subordinada «para que eu (não) me lembrasse dela» veicula uma consequência da situação descrita na oração principal, comportando-se, portanto, como uma oração consecutiva. As frases não querem dizer a mesma coisa (querem dizer o contrário uma da outra).

Para facilitar a interpretação das duas frases, imaginemos um contexto em que as possamos utilizar: eu estou a organizar um espetáculo de bailado no meu bairro e tenho uma amiga, chamada Luísa, que é uma excelente bailarina.

1 – «Luísa tinha muito talento para que eu não me lembrasse dela.»

Neste caso, a frase significa que a Luísa tinha tanto talento, que era impossível não me lembrar dela para entrar no meu espetáculo.

2– «Luísa tinha muito talento para que eu me lembrasse dela.»

Em contrapartida, eu posso proferir a frase 2 se estiver a considerar que o talento da Luísa é de um nível superior ao do espetáculo que estou a organizar, amador (ou seja, o seu talento é tanto, que nem me lembrei dela).

Sem um contexto adequado, existe alguma dificuldade na interpretação da segunda frase, possivelmente devido à expressão «muito talento», que tem uma conotação positiva, tornando inesperada a consequência de o falante não pensar numa pessoa com tais características. Este aspeto pode ter levado o nosso consulente a atribuir-lhe uma interpretação igual à da primeira frase.

(Existe ainda uma interpretação em que a oração subordinada é complemento do nome talento, introduzida pela preposição que este rege: «talento para a música», «talento para vender automóveis». Neste caso, a primeira frase significa que a Luísa tem muito talento para fazer com que eu não me lembre ...