Maria do Rosário Laureano - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Maria do Rosário Laureano
Maria do Rosário Laureano
3K

Professora do Departamento de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, é doutorada em Literatura Portuguesa dos sécs. XV e XVI; especialista em línguas e literaturas clássicas.

 
Textos publicados pela autora

Para se informar das iniciativas promovidas por diversas entidades no âmbito do Ano Internacional das Línguas, pode consultar na internet os portais do Instituto Camões, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e pode também solicitar informações às escolas de línguas, como o Instituto Espanhol (Cervantes), o Instituto Italiano, o Instituto Britânico, o Instituto Alemão, a Alliance Française, etc.

Embora sem contexto, a tradução da frase é:
«Está provado; ficam em silêncio, louvam bastante.»

A forma correcta da frase que apresenta é a seguinte: «Aliena bona in vita salvare.»
Embora seja sempre difícil traduzir uma frase retirada do contexto em que se insere, podemos traduzi-la assim: «Preservar em vida os bens alheios.»

Na versão de uma frase de português para latim, devemos considerar três fases. Na primeira, devemos verificar o número de orações presentes na mesma frase. Na segunda, devemos proceder à análise morfossintáctica dos elementos de cada uma das orações. Na terceira, podemos passar à tradução, depois de ter procurado no dicionário de português-latim os vocábulos que nos interessam. Se se tratar de uma versão escolar, as palavras escolhidas devem ser as usadas na época de Cícero e de César, que foi designada por época clássica.

Deste modo, existem na frase em questão duas orações.
A primeira, a principal, é:
«Um homem é apenas aquilo...»
A segunda, oração subordinada relativa adjectiva, é:
«que ele sabe.»

Análise sintáctica da oração principal:
sujeito – um homem
predicado nominal – é aquilo, sendo aquilo o predicativo do sujeito
palavra denotativa de exclusão – apenas

Análise sintáctica da oração subordinada relativa adjectiva:
sujeito – ele
predicado – sabe
c. de objecto directo – que

Como sabe, em latim não existem artigos; sendo assim, devemos procurar no dicionário as outras palavras:
homem – homo. hominis (m.)
é – (verbo ser, na 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo) sum, es, esse, fui
apenas – uix (adv.)
aquilo – (pronome demonstrativo) is, ea, id
que – (pronome relativo, que concorda em género e número com o seu antecedente e que se coloca no caso correspondente à função sintáctica que desempenha na frase) qui, quae, quod
sabe – (verbo saber, no presente do indicativ...

Deve dizer-se:
«Carta junta ao processo.»
Na expressão apresentada, junta tem valor morfológico de adjectivo e, como tal, concorda em género (feminino) e número (singular) com o substantivo carta.
Contudo, nas frases que se seguem, junto manifesta valores morfológicos diferentes.
1. «Junto envio carta.»
2. «Junto carta ao processo.»
Na primeira frase, junto é um advérbio de modo, correspondente a em anexo.
Na segunda, junto é uma forma verbal, pertencente ao verbo juntar.
Portanto, um mesmo vocábulo, neste caso junto, pode apresentar valores morfológicos diferentes que correspondem às funções sintácticas desempenhadas nas frases.