Manuel Portilheiro - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Manuel Portilheiro
Manuel Portilheiro
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Doutorado pela Universidade da Califórnia, em Berkley, e licenciado pelo Instituto Superior Técnico, em Lisboa; ensina na Universidade de Wisconsin (Estados Unidos da América).

 
Textos publicados pelo autor

As sugestões que apresenta como alternativa ao termo matriz são ambas legítimas. De facto uma matriz não é mais do que uma tabela ou um quadro de números. Porém, na matemática, como em outras disciplinas, os termos enraízam-se, colam-se às páginas dos livros, tornam-se muletas do pensamento.E é tão difícil mudar velhos hábitos!

Mas também é legítimo perguntar: porquê? Porque se haveria de mudar? Matriz, parece-me, serve bem e nem é uma palavra feia. Pode-se explicar o conceito de matriz de várias formas, como tabela de números ou como uma notação simplificada para sistemas de equações, mas não há necessidade de mudar as palavras que toda a gente usa e conhece.

Vem a propósito mencionar a resposta dada por Maria Regina Rocha sobre a tradução de 'array'. Gostava de referir que, ao contrário do que o prezado consulente aí afirma, em matemática existe o termo 'tensor' para matrizes de números arranjados em quatro ou mais dimensões.

Quanto à tradução de 'array', concordo com o que diz Maria Regina Rocha. Apesar de em inglês ter originalmente um sentido unidimensional, usa-se para outras dimensões indiscriminadamente. Se quiser denotar o carácter unidimensional dos seus objectos, poderá usar 'lista' ou 'vector'.

Finalmente, queria notar que o termo 'arranjo' aí proposto pelo consulente tem já um significado especial no campo da combinatória. Pode ser que em certos casos seja isto que se queira representar - estou a pensar em aplicações nas linguagens de programação -, mas em geral não, e para um termo que se quer genérico não será a melhor escolha.

Calote esférica é uma das duas partes que se obtêm quando se corta uma esfera com um plano. Quando as duas partes são iguais também se chama hemisfério.

Não é a primeira vez que vejo esta questão levantada. Julgo tratar-se de uma confusão na interpretação das regras e convenções do Sistema Internacional de medidas e unidades.
Pode consultar o documento com estas regras na internet em http://physics.nist.gov/Pubs/SP811/contents.html, ou uma lista abreviada em http://physics.nist.gov/cuu/Units/checklist.html.
Julgo que a confusão vem da regra 6.1.3 sobre o plural dos símbolos das unidades. Para cada unidade de medida existe, neste sistema, um símbolo próprio, que não é uma abreviatura. Assim, usa-se cm para centímetros, s para segundos, etc. O que esta regra diz é que não se deve usar um símbolo diferente para distinguir o plural, ou seja, deve escrever-se l = 25 cm, e não l = 25 cms.
Porém, isto não significa que se atropelem as regras da linguagem quando as unidades são escritas por extenso. Aliás, isso mesmo está explicitamente mencionado na regra 9.2 do documento acima referido, no caso para a língua inglesa. Pode também ser verificado implicitamente em alguns dos exemplos usados onde se vêem as unidades escritas por extenso no plural (regras 5 e 14 da versão abreviada, por exemplo.)
Significa isto que, enquanto se escreve l = 75 cm, se deve ler ³l é igual a setenta e cinco centímetros² e não ³l é igual a setenta e cinco centímetro². O mesmo serve para qualquer outra unidade de medida, seja ela popular, como os litros, quilos ou calorias, ou menos quotidiana, como os joules, os bares ou os lúmens.

Vejamos um outro exemplo, das unidades monetárias. Existem símbolos para as moedas como o dólar ($), a libra (£), o euro (que o meu teclado se recusa a reproduzir) ou o iene (¥). Estes símbolos usam-se diariamente nas praças internacionais sem que tenham uma versão especial para quantidades plurais. Este é o mesmo espírito da regra 6.3 do Sistema Internacional. Concordará que é um erro crasso dizer-se ³dois dólar², ³cinco libra² ou ³dez iene². Os bares, amperes, volts e watts nada têm de di...

Tenho igualmente visto escrito "torsão", mas julgo que tem razão ao afirmar que se deve escrever torção. Tanto o dicionário Aurélio como o da Porto Editora registam apenas "torção", embora seja apenas o registo do Aurélio a conter a entrada no domínio da matemática.

Apesar de a pergunta estar um pouco fora do âmbito do Ciberdúvidas, vou tentar responder sucintamente.
   Não há certezas quanto à origem desta expressão usada para designar os Estados Unidos da América ou o seu governo. Especula-se que se deve a um comerciante de carne do estado de Nova Iorque, Samuel Wilson, que fornecia o exército americano durante a guerra de 1812. Os caixotes onde a carne era embalada estavam estampados com as iniciais U.S.United States (Estados Unidos) e por paródia ter-se-á começado a dizer "Uncle Sam" (Tio Sam). Esta parece ser a versão que mais aceitação tem. Outras existem, mas todas parecem concordar em que a expressão deriva das iniciais U.S. Um pouco mais tarde (1830-40) encontram-se registos em jornais pacifístas que, em tom pejorativo, usam o "Uncle Sam" para se referirem ao governo e exército americanos.
 Pode ler mais sobre "Uncle Sam" nas seguintes páginas:

http://xroads.virginia.edu/~CAP/SAM/sam.htm e http://www.straightdope.com/classics/a3_003.html.