Álvaro Cidrais - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Álvaro Cidrais
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Álvaro Cidrais (Moçambique, 1967) foi, de 1998 a 2001, consultor da Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo. Licenciado em Geografia e Mestre em Geografia Humana, é, desde 2000, consultor da Associação Portuguesa de Enfermeiros para a Educação à Distância; assessor, gestor de projetos e coordenador do Instituto de Formação da FCUL e consultor do Instituto de Ciência Aplicada e Tecnologia. É coautor de dois livros com Xosé Manuel Souto (Universidade de Vigo): Planeamento Estratéxico de Mercadotecnia Territorial e História do Eixo Atlântico. Docente universitário na Universidade Lusíada de Lisboa.

 
Textos publicados pelo autor

De um modo simplificado, podemos dizer que a sociodemografia é uma abordagem explicativa de cariz social da ciência que descreve uma determinada população: a demografia. Em termos de análise das questões sociais contemporâneas é tão importante quanto outras aproximações, sendo de destacar a sua relevância em matérias como a análise de mercados e de tendências de consumo.

Quadrante é a quarta parte de uma circunferência. Isto é, representa a área compreendida entre dois segmentos de recta que partem do centro, com uma amplitude angular de 90º, e interceptam a superfície da circunferência.

   Assim, admite-se que o termo poderá ser aplicado a qualquer situação referente a pontos cardeais, colaterais e subcolaterais. Todavia, o uso é mais habitual quando nos referimos aos pontos cardeais.

   Assim, não estará incorrecto dizer, por exemplo: o vento sopra do quadrante noroeste. Neste caso, queremos dizer que os ventos predominantes se dirigem de Noroeste para Sudeste, com uma variação angular de mais ou menos 45º (metade de 90). Ou seja, também podem soprar momentaneamente de Oeste e de Norte.

«Faixa etária» designa um conjunto de idades compreendidas entre um máximo e um mínimo.

 Assim, no português de Portugal nunca se usou tal coisa nos termos em que questiona. Não creio que seja correcto fazer essa associação de palavras no sentido que dá no seu exemplo.

Etário é relativo a idade e, portanto, não tem qualquer cabimento utilizá-lo neste contexto.

Os pontos cardeais são norte, sul, leste (o mesmo que este) e oeste.
   Este: do francês "est"; leste: do francês "lest". Pronunciam-se /és-te/ e /lés-te/.

Os termos leste e este possuem o mesmo significado geográfico: o de lado nascente do Sol. Não conheço nenhuma regra para a sua utilização diferenciada. É perfeitamente correcto utilizá-los num mesmo texto, consoante soe melhor. Só em alguns escritos científicos existem preocupações de usar o mesmo termo, numa coerência excessiva, própria da etiqueta académica.

   Em relação à necessidade de escrever a inicial do termo em caixa alta (maiúscula) ou caixa baixa (minúscula), aprendi, em Geografia, que é com maiúscula quando nos referimos a pontos cardeais ou pretendemos localizar um lugar em termos relativos. Todavia, por exemplo, na escrita jornalística, a caixa baixa é utilizada de modo indiferenciado, havendo uma tendência para este hábito se perpetuar sem que daí advenha qualquer problema de comunicação. E como as regras se fazem geralmente do uso da língua…

Actualmente, no ensino da Geografia, ainda se considera que o Mundo é constituído por cinco continentes: África, América (composto pela América do Norte e a do Sul), Ásia, Europa e Oceânia (integrando a Austrália, a Antárctida e a grande maioria das ilhas do Oceano Pacífico). Nas escolas e na maioria dos manuais de Geografia do 7.º ano, possivelmente em todos, o tema é abordado desta forma. No entanto, não sei se será a mais correcta, pois a origem desta classificação perde-se algures na primeira metade do século XX e, entretanto, as concepções científicas foram alteradas.

Se atendermos à definição do conceito que é feita no Grande Dicionário de Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, o continente é um espaço considerável da superfície sólida da Terra que pode percorrer-se sem passar o mar.  Nesta óptica, devemos aceitar a classificação com seis continentes, aliás, comum na maioria dos planisférios dos Atlas que consultei.

Em termos científicos, baseando-nos na Geologia e à luz da tectónica de placas, a divisão da Oceânia em dois continentes, a Austrália e ilhas associadas, por um lado, e a Antárctida, por outro, justifica-se pela separação geológica que ocorre no fundo oceânico entre estas duas «superfícies sólidas da Terra».