Entre a discrição e a descrição
A propósito do dono de um restaurante
Lemos num jornal em linha, a propósito do dono de um restaurante conhecido, que ele «continua a abrir o restaurante diariamente e a receber com todos com a simpatia e descrição, que lhe é conhecida».
A afirmação em questão acaba por ser algo enigmática, pelo que convoca, para a sua compreensão, uma revisão das diferenças entre os nomes descrição e discrição.
O primeiro termo, escrito com -e- na primeira sílaba, refere o ato de descrever algo ou alguém, apresentando ou delimitando alguns dos seus traços. Deste modo, «receber com descrição» poderá significar que a receção dos clientes é acompanhada de uma exposição oral por meio da qual se retrata algo (os pratos disponíveis na ementa do dia, por exemplo).
O segundo termo, grafado com -i- na primeira sílaba, descreve a qualidade de ser discreto, de passar despercebido. A ser este o termo que se queria utilizar, pretender-se-ia descrever o dono do restaurante como alguém reservado e cuidadoso na forma de agir e falar.
Não parece que restem muitas dúvidas relativamente à intenção do artigo publicado. A palavra escolhida deveria ter sido discrição. E, deste modo, a descrição do dono do restaurante corresponderia à de alguém que age com discrição.
A propósito desta incorreção, deixamos uma vez mais a advertência para o cuidado que se deve ter na grafia da palavra discrição sob pena de se veicular uma ideia que não corresponde à nossa verdadeira intenção.
Uma nota ainda para a falta de revisão no segmento de frase «*receber com todos com a simpatia», que deveria ter a redação «receber todos com simpatia».
Imagem criada com Inteligência Artificial
