O nosso idioma // História de palavras
«Árvore das patacas» e quatro outras expressões
História e estórias de palavras
1. Árvore das patacas – As árvores das patacas devem o seu nome à crendice dos portugueses, como aqui se conta:
Árvore da Pataca (Dillenia indica) é originária da Ásia Tropical e foi levada pelos portugueses para o Brasil.
De acordo com a lenda existente no folclore brasileiro, Dom Pedro I (na época ainda príncipe) colocou patacas brasileiras (moeda que foi utilizada no Brasil) no interior de várias flores da dita árvore. Um detalhe interessante é que para formar o fruto, as flores fecham-se sobre si mesmas, aprisionando no seu interior qualquer objeto ali colocado.
Após os frutos estarem formados, e com as respetivas patacas no seu interior, Dom Pedro enviou uma caixa para Portugal com a seguinte mensagem: «Nesta terra o dinheiro até nasce nas árvores.» Foi esta ação que deu origem à expressão «árvore das patacas».
2. Ameias e merlões – A primeira designa as aberturas no alto das muralhas, a segunda as saliências entre essas aberturas.
A primeira vem-nos do latim, a segunda do francês merlon, pelo italiano merlone, aumentativo de merlo («melro»), provavelmente, diz-nos o Dictionnaire Etymologique de la Langue Française, porque se veem algumas vezes estes pássaros pousados em filas sobre os muros.
3. Alcântara, Alcantarilha e Alcoentre – Todas têm origem no vocábulo árabe al-qanṭara que significa «ponte», mas a segunda e a terceira apresentam-se no grau diminutivo: Alcantarilha com sufixação portuguesa e Alcoentre com formação árabe, ambas com o significado de «pequena ponte», «pontinha».
4. Literatura de cordel – Num artigo do jornal Expresso de 17.1.2004, da autoria de Nuno Crato, lê-se o seguinte:
«[…] vemos um homem já passado da meia-idade a esticar cordéis na tenda e a pendurar aí pequenos livros com molas, como se de roupa se tratasse. Há de tudo, desde histórias eróticas e relatos de capangas do Nordeste brasileiro, até biografias de poetas e histórias moralizantes. Para quem não tenha ainda percebido que a literatura de cordel deriva essa designação do cordel onde se penduram os livros exibidos, o vendedor recomenda um livrinho: Literatura de Cordel: Dados Básicos.»
5. Amigo da onça – Uma onça atacou um caçador. Este contou a toda a gente que deu tamanho berro que o bicho fugiu. Alguém já habituado às invenções deste caçador declarou que tal estória não poderia ser verdade… O cinegético mentiroso ripostou indignado:
– Afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?
Foi desta anedota que a revista brasileira O Cruzeiro, entre 1943 e 1962, tirou o nome da personagem criada pelo cartunista Péricles (cf. Wikipédia e Dicionário Popular).
Cinco expressões e cinco histórias (ou estórias) que as explicam, recolhidas pelo professor João Nogueira da Costa, que as publicou na sua página do Facebook (28/04/2021).
